O mundo é mesmo asfixiante
De cabeça leve, o sujeito foi almoçar num restaurante em que havia salmão grelhado, feijão à mineira e purê de mandioca no buffet do dia. Serviu-se, sentou-se, e o mundo começou a encolher à sua volta. Porque não pôde ignorar as conversas que o rondavam. Mulheres bem vestidas conversavam sobre um concurso recém-feito. Uma delas lamentava ter ido mal em questões de atualidades. Dizia que devorava livros frívolos, mas que romances de verdade, jornais, revistas, não conseguia. Um homem de paletó e gravata, ao seu lado, tratou de consolá-la. Perorou que ele jamais abrira um volume na vida, não tinha assinatura de nada, e no entanto estavam ali almoçando boa comida. A amiga que os acompanhava emendou que o pecado não era a ignorância, mas o mau desempenho no chutômetro. Além do mais, concluiu, eles conheciam alguém que lia mesmo e dava bola para essas coisas? "Fala sério..." O trio gargalhou, o homem ergueu o copo. E brindaram à felicidade.
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