Da coluna de Daniel Piza, ontem, no Estadão:
RODAPÉ (1)
Da arte de escrever mal:
“Acreditava que todos ali tinham medo dele, porque sempre fora ruim, e a ruindade é a melhor coisa que se pode estabelecer num bandido para ser respeitado. Para ele não existia paz, arrependimento, não fazia nada de que não pudesse colher frutos depois, tudo que fazia de bem, jogava na cara do beneficiado, pois sofria quando não era retribuído, destruindo assim tudo que não passasse pela sua cruel compreensão do mundo, de vida, de relacionamento.” (Cidade de Deus, de Paulo Lins, Companhia das Letras, edição comemorativa de dez anos.)
“O próprio Einstein contestou a célebre teoria da gravidade de Newton, afirmando que a gravidade não era uma força, como o físico inglês dissera, mas um campo no espaço continuum, criado pela presença de massa. Mas a famosa fórmula E = mc² ainda não perdeu sua credibilidade. Thomas Huxley, outro renomado matemático (sic), como Einstein (sic), criou uma de suas principais teorias também fazendo cogitações e equações matemáticas em seu gabinete.” (O Romance Morreu, de Rubem Fonseca, Companhia das Letras.)
RODAPÉ (2)
Melhor ir aos clássicos:
“O que chamamos nossa conduta permanece ignorado de nosso mais próximo vizinho; o que esquecemos haver dito, ou que até nunca dissemos, vai provocar hilaridade até num outro planeta, e a imagem que os outros formam de nossos gestos e atitudes tampouco se parece com a que nós próprios formamos, como um desenho, um decalque malfeito, e onde ora a um traço negro corresponde um espaço vazio, e a um branco, um contorno inexplicável. Pode aliás acontecer que o que não foi reproduzido seja algum traço irreal que só vemos por complacência, e que aquilo que parece acrescentado nos pertença de fato, mas tão essencialmente que nos escapa.” (O Caminho de Guermantes, de Marcel Proust, tradução de Mario Quintana, editora Globo.)
“Escrito, bem escrito - Expressão usada pelos porteiros para designar os folhetins que os divertem.” (Dicionário das Idéias Feitas, de Gustave Flaubert, tradução de Cristina Murachco, editora Nova Alexandria.)
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