09/08/2007

No banco

Ir ao banco já não é chato. Até um mês atrás, eu ia, entrava na fila, esperava um bocado e me aborrecia com uma funcionária esforçada que tentava me convencer a trocar a fila dos caixas humanos pela fila dos caixas eletrônicos. Me dei mal em todas as vezes que fiz o que ela sugeriu. No caixa-rápido, as filas eram longas também, e em algumas ocasiões fiquei mais tempo na fila da máquina do que na fila da senha. De um mês para cá, porém, a moça já não me incomoda mais. Um dia, cheguei com a mochila que carrego diariamente para o trabalho. Peguei a senha, cuspida por uma máquina simplória, e sentei-me numa cadeira, até confortável. Havia muita gente. Quando o sinal sonoro da senha tocou no painel, descobri que estava a 20 números de pagar o cartão de crédito. Após assistir a uma matéria na Bandnews, na televisão, lembrei que eu tinha Paulo Mendes Campos na mochila. Puxei o livro e comecei a ler. Alguns minutos depois – eu com um olho na crônica, outro no painel –, a funcionária esforçada se aproximou. Sem o mínimo tato, mandou ver. – Posso ver a sua conta? – Não. E voltei à leitura. Eu conhecia a lengalenga. Se eu desse atenção, ela repetiria o discurso decorado de que para contas do próprio banco eu posso fugir das filas, que aborrecem a todos, e me dirigir aos caixas eletrônicos, fáceis de usar e em bastante quantidade no hall de entrada. A moça respondeu um OK e foi incomodar o próximo. Desde esse dia, eu já chegou com o livro na mão. Pego a senha, sento-me e leio. A moça passa longe de mim. O livro a afasta. E eu acho ótimo, mas lamento quando há pouca gente na minha frente na fila.

2 comentários:

  1. Temos aqui um neoludita, então! O débito automático resolve tudo isso, e você ainda pode ler seu livro em qualquer lugar mais interessante do que a sala de espera de um banco. Pela descrição, deve ser o Besc, que não chega a ser exatamente um banco. Pensando bem, o débito automático me impediria de ler esta sua crônica boa.

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  2. Neoludita? Depois de encontrar uma definição pra palavra, penso "sei não...". Bom, o banco é o Real, ph. Confortável mesmo. Obrigado pela leitura, pelo elogio e o comentário.

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