A faca passou rente a cabeça do cidadão, que pagou o imposto antes mesmo que o seu guarda fizesse a abordagem de rotina. A gaita foi atirada longe daquela confusão e, quando ela quicou no asfalto, deu-se uma explosão de vento que deixou a cidade de pêlos em pé. Um gigante malaio tentou apartear o nobre desempregado, mas o juiz da segunda vara da família, dos costumes e da propriedade alheia exigiu que a cantora desse um dó de peito. A sirigaita achou aquilo tudo muito estranho, e, como bom canalha, o infectologista bateu palmas de louvor à missa pagã que os endiabrados macaquinhos celebravam em memória da árvore recém-derrubada. Mas o que realmente chacoalhou o universo miúdo da casca de noz do cientista maluco foi o beijo que a menina roubou do garotinho. Estavam eles a brincar de atirar granadas nos quintais da vizinhança, quando ela parou bem perto dele e exigiu alto e bom som: Beije-me, ou te capo. E não foi sem emoção que o equilibrista viu a cena, parou na corda bamba, maromba em punho, idéias mil na cabeça, e gritou Corta! A cena então se rebobinou por completo, e o alfinete derreteu num mar de inconfidências. A sorte foi que a prostituta ficou entre o despir e o despistar, mas escolheu - e escolheu bem, cria a judia - o trabalho de blow, você sabe. Pois o longevo amanuense, querendo reordenar todo o esquema de corrupção que corria frouxo e sem restrições entre os seqüestradores de rins, sem demora abriu uma garrafa de Coca-Cola e deu um belo gole de isopor. Foi quando o gavião apitou e mandou que todo mundo circulasse, onde já se viu, esse ajuntamento assim ao pôr-do-sol. Por fim, passou lá longe o gari, cambaleante e cabisbaixo, cantando um samba triste de randevu.
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